Florestas de plástico

Minha geração se revestiu de um silêncio alienante pós hecatombes, pós combates enlouquecedores e pós sumiços que foram ‘devidamente’ varridos para debaixo do tapete.

Nossos tapetes.

E como só silêncios deste tipo são capazes, a vida seguiu como se normal fosse, principalmente depois da década de 80. E como só silêncios deste tipo são capazes de produzir, deixou em seu rastro um deserto histórico e uma história estéril.

E como a história era estéril, puseram no deserto histórias de plástico para compor florestas de plástico, porque ficava estranhíssimo este deserto neste local, o que acabou tendo por consequência a criação de uma outra geração que achou normal ter como passado histórias de plástico. E que começaram a interagir com estas histórias de plástico como sendo reais.

E minha geração deixou que isso acontecesse.

E houveram pelo menos mais duas gerações contando umas às outras histórias de plástico da floresta de plástico.

Mas o que não foi resolvido e encarado, e foi enterrado debaixo das histórias de plástico, está se desenterrando e aparecendo. Alguns percebem, outros não.
Mas não me parece que nada disso vai voltar a ser enterrado, os vendavais atuais não deixam.

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