Causas sem causa

Algumas expressões me chamam a atenção, uma delas é a tal da “vergonha alheia”.
Depois que se entende o que ela quer dizer, “vergonhas alheias” que vi por aí tem o mesmo efeito de “unha raspando lousa”, dói.

A outra é uma hashtag, #prontofalei.

E o que vou falar a seguir segue a linha do #prontofalei.

Pois é… pode ser bonito ter uma causa e morrer por ela. Ou útil. Ou necessário (será?). Ou…

Mas é muito necessário se ter coerência.

Sem coerência você pode estar dando todo seu suor a algumas causas e sua falta de coerência estar fazendo a soma dar zero.

Zero.

Vamos supor que você defenda o bem estar animal “quase a morte”. E vamos supor que você ache que defender a inovação na educação seja um absurdo, que toda ela tem que ficar como está ou só melhorando o que já se tem, sem essencialmente mudar nada.

Como é que vou dizer isso…

Bom, vou ter que dizer que sem que se considere que a possibilidade de aprendizagens significativas seja essencial para a formação de pessoas que achem a tortura animal um absurdo, estas torturas vão continuar.

E daí eu pergunto: como você não percebeu que suas atuações, somando, deram ZERO?

Causa nenhuma vale nada (ou tem um alcance limitadíssimo) se seus “causantes” não tiverem o mínimo necessário de coerência. Ativismo nenhum vale quase nada sem que se tenha o mínimo de coerência.

Veganos que maltratam seus funcionários. Defensores do bem estar animal que acham normal zoológicos existirem. Pesquisadores que atuam com inovação em agricultura que acham um absurdo defender a agricultura familiar. Praticantes de comunicação não violenta que agem como loucos em campanhas políticas. Atuantes em inovação social que tratam vários a sua volta como inimigos e não como discordantes. “Causantes” que atuam dentre a população de rua e chutam cães a miúde. Ambientalistas que abraçam árvores e queriam que sua irmã morresse. Empreendedores sociais que mergulham em inovação e roubam seus sócios. Espíritas que estudam a doutrina espírita por anos, mas fazem absurdos quando estão a beira da morte. Facilitadores de eventos que fazem meditação todo dia e fazem fofocas maldosas sobre outros facilitadores. Praticantes espirituais que atuam como guias e orientadores de outras pessoas e que em “em off” ridicularizam estas pessoas. Investidores-anjo que a princípio pegam as pessoas da startup que estão investindo “maternalmente no colo” e depois de um tempo os jogam em um precipício “como mamãe águia”, mas sem lhe dar asas…

O empreendedorismo servidor, dentre outros, tem uma proposição inicial interessante: antes de qualquer coisa, antes de qualquer empreendimento, antes de entrar/mergulhar em qualquer causa, empreenda você mesmo.
Conheça quem você é.
Conheça seus limites.
Conheça e admita até onde você quer ir.
Conheça e admita até onde você consegue ir.
Veja de verdade quem você é, como você pensa, se sente, reage a várias coisas, etc, etc.
De preferência faça isso com pessoas de confiança junto a você, para que eles lhes mostrem os pontos cegos que você não consegue ver sozinho.
E daí, a partir disso, defenda, mergulhe nas suas causas, empreenda sua vida.

Mas por favor: seja coerente.

Pois é, #prontofalei.

 

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