Os “profetas do apocalipse”

Duas coisas me irritam profundamente nos “profetas do apocalipse”:

Uma delas é a capacidade apocalíptica deles ser inversamente proporcional a sua lucidez.

A outra é que são e estão extremamente centrados no próprio umbigo.

E no mundo digital eles parecem ter suas características acentuadas…

Então falemos do mundo digital.

É fácil ver em ‘ferramentas de comunicação em grupo’, como o NING, twitter, facebook, etc, que quando um cidadão começa a “surtar” ele começa a se tornar cada vez mais um “ser apocaliptus”. E quanto maior a influência dele (leia-se seguidores ou algo que o valha) maior o surto.

Cansei de ver surtos “digitais” apocalípticos, uns até justificáveis, outros nem tanto. E tem uma conotação de “limpezas emocionais ao vivo e a cores” que doem nos e aos olhos.

Por que uma coisa vos digo, senhores e senhoras: tem que ter muita veia poética e/ou de escritor para uma crise dessa ter algo de atraente para quem lê.

Geralmente o que vi acontecer como resultado destas “explosões emocionais travestidas de conteúdo intelectualóide” são reações de leitores que vão da saída do ambiente, respostas agressivas, respostas no tipo “calma, coitado de você, está ficando louco mais eu te entendo” até as mais características, os comentários puramente “baba ovo”.

Não é difícil perceber que o que desencadeia este tipo de situação não é nada muito “grande”, é algo mais prosaico, é pessoal. Eles partem do pessoal para o geral e esta é uma posição complicada. De novo, para partir do pessoal para o geral e escrever algo relevante, ou tem que ter veia poética e/ou de escritor ou tem que ser um mestre em indução (e geralmente eles não são nem uma coisa e nem outra). Então, geralmente são crises sem conteúdo real, são os famosos “factóides”.

Mas … eles influenciam pessoas. Muitas.

E eles geralmente se esquecem do imponderável, do complexo, de análise das redes envolvidas, que coisas são encadeadas a outras coisas, que uma análise não pode ser só técnica, ou só social, ou só da cabeça deles…

Bom, mas esta é a conseqüência do “mundo em rede e digital”, os discursos fogem de quadrados e alcançam o mundo e no mundo são analisados.

E outra coisa que me chama atenção nestes casos, é o quanto ainda temos que aprender para viver numa comunidade tão “escancarada” como esta que estamos vivendo. E o quanto ainda lidamos mal com a interação real em uma comunidade, por mais que o discurso “sou moderno, sou interativo, escuto a todos,  etc, etc, etc”  seja feito a exaustão por vários.

Daí… bom, cada um tem o profeta do apocalipse que gosta, eu pessoalmente não gosto de nenhum deles. Sempre que leio algum, penso que amanhã vai ter outro tão descartável quanto o que eu estou lendo.

crenças_criancas e monstros

 

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